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Diferença na nota de alunos pobres e ricos nos EUA cresce 40%, diz estudo

Estudantes EUA

Um levantamento feito por um professor da Universidade Stanford indica que o sistema educacional dos Estados Unidos não conseguiu reduzir a disparidade entre a educação de alunos ricos e pobres nas últimas décadas. Ao analisar uma dúzia de pesquisas em escala nacional feitas entre as décadas de 1960 e 2010, Sean F. Reardon, que dá aulas de educação e sociologia na instituição, descobriu que a diferença entre as notas de alunos de famílias de alta renda e as dos estudantes de baixa renda cresceu 40% nos últimos 30 anos.

Reardon divulgou os resultados de sua pesquisa em um artigo publicado no fim de abril no site do jornal The New York Times.

Segundo os dados levantados pelo pesquisador, apesar de o desempenho em exames aplicado em larga escala nas escolas norte-americanas, como o SAT, terem crescido entre estudantes de todas as classes sociais, em algumas ele avançou com muito mais velocidade. Em 1980, a nota alcançada por um aluno de uma família com renda anual acima de US$ 165 mil (cerca de R$ 330, na cotação atual) em um exame  era de cerca de 90 pontos mais alta que a de um aluno nascido em uma família que ganha até US$ 15 mil por ano (cerca de R$ 30 mil). Em 2010, essa diferença subiu para 125.

Para efeitos de comparação, ele citou ainda a diferença das notas entre crianças brancas e negras, que no mesmo ano foi de 70 pontos. “A renda familiar é hoje um modo melhor de prever o sucesso das crianças do que a raça”, afirmou Reardon.

Preparação antes da pré-escola
No texto, ele cita alguns motivos para que essa desigualdade tenha crescido, como a qualidade das escolas de bairros ricos e pobres, mas defende que a principal vantagem dos alunos ricos é a preparação que recebem ainda antes de entrar na pré-escola. “As crianças ricas estão chegando ao jardim de infância cada vez mais bem preparados para se darem bem na escola do que os estudantes de classe média. Essa diferença na preparação persiste durante o ensino fundamental e o médio”, diz.

O professor de Stanford explicou, em seu artigo no The New York Times, que, antes da década de 1980, as notas de estudantes ricos e de classe média eram só um pouco diferentes, e o abismo maior estava entre a classe média e as famílias de baixa renda. Agora, porém, a evolução dos alunos da classe alta criou uma lacuna quase tão grande para a classe média quanto a diferença entre as classes média e baixa. Por isso a disparidade ainda maior entre os estudantes ricos e os pobres.

“Assim como a renda dos mais afluentes tem crescio muito mais rapidamente do que as da classe média nas últimas décadas, também a maior parte do ganhos no sucesso educacional foram acumulados pelas crianças ricas.”

As crianças ricas estão chegando ao jardim de infância cada vez mais bem preparados para se darem bem na escola do que os estudantes de classe média. Essa diferença na preparação persiste durante o ensino fundamental e o médio”

O aumento da disparidade, segundo Reardon, segue o mesmo ritmo da disparidade na renda das famílias ao longo dos anos.

“O dinheiro ajuda as famílias a prover experiências cognitivas estimulantes para suas crianças pequenas porque possibilita ambientes mais estáveis em casa, mais tempo para os pais lerem para seus filhos e acesso a serviços de maior qualidade no cuidado de bebês e pré-escola.”

Além disso, a preocupação com o sucesso educacional tem ganhado muito mais espaço entre as famílias ricas, porque, diz o pesquisador, os melhores empregos exigem os diplomas mais cobiçados.

Acesso ao ensino superior
Além de seu próprio estudo, Reardon cita outras pesquisas que mostram a persistência da desigualdade social dentro do sistema educacional. Uma delas, feita por economistas da Universidade de Michigan, aponta que a proporção de alunos de classe alta que recebem o diploma de bacharelado aumentou 18% em 20 anos, enquanto o mesmo indicador avançou apenas 4% no caso dos estudantes de baixa renda.

Em outro estudo, feito pelos estudantes do professor de Stanford, dados mostraram que 15% dos alunos com renda alta que se formaram no ensino médio em 2004 acabaram se matriculando em uma universidade altamente competitiva. No caso dos alunos de classe média, essa porcentagem foi de menos de 5%. Já entre os estudantes pobres, ela foi de 2%.

Pesquisas feitas pela Universidade Harvard indicam ainda que a desigualdade não atinge apenas as notas e o acesso à universidade. A participação em esportes, atividades extracurriculares, trabalho voluntário e frequência à igreja –atividades que são levadas em conta pelas universidades no processo seletivo dos Estados Unidos– também apresentam uma lacuna crescente entre as crianças e adolescentes ricos e pobres.

A conclusão, segundo ele, é que o já antigo debate sobre a possibilidade de a educação contribuir para tirar crianças da pobreza, além das sucessivas ondas de reformas educacionais para tentar atingir esse objetivo, não foram suficientes para tornar essa proposta uma realidade. “Talvez devêssemos aprender a lição dos ricos e investir muito mais pesadamente como uma sociedade nas oportunidades educacionais das crianças desde o dia em que elas nascem”, sugere Reardon.

 Fonte: G1- Globo

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