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Pesquisa do Ipea aponta que jovens estão preocupados com a qualidade da educação

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Os jovens amazonenses confirmam a preocupação com a educação, item número um da pesquisa divulgada nesta segunda-feira (22) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no estudo “Juventude levada em conta”. Nada menos que 85,2% dos 11.420 jovens ouvidos em todo o País revelaram preocupação com a qualidade da educação. Jonas Miguel Souza de Souza, 16, Grace Viana de Souza, 17, e Moisés Fernandes, 18, foram unânimes em apontar que, com a educação que está sendo dada nas escolas, não há como ficar otimista com o Brasil.

“Há muitos alunos que não se interessam e mesmo assim são passados de ano, recebendo nota de graça”, afirmou Jonas, que faz o 2º ano do ensino médio na Escola Estadual Antenor Sarmento, no Centro, Zona Sul. Grace considera importante repensar o ensino médio para mudar o conteúdo dado atualmente. “Pouco do que aprendemos serve para os exames do Enem e do PSC”, disse ela, referindo-se ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e Processo Seletivo Contínuo (PSC).

“A educação é a base de tudo, sem ela não vamos conseguir lugar no mercado de trabalho”, explicou Jonas. Para ele, é preciso haver mudanças de todas as ordens para se chegar à qualidade no ensino. “Não é só melhorar a qualidade do professor, da escola e do aluno, tem que ser tudo isso junto”, disse o estudante, criticando a prioridade dada pela escola em geral aos alunos que estão com deficiência, enquanto os melhores não têm incentivos.

APROVAÇÃO

Outro que considera necessário haver mudanças na educação é Moisés Fernandes, 18, aluno do 3º ano do ensino médio na Escola Estadual Maria Amélia Espírito Santo, no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste. “Sem educação de qualidade não vamos resolver o problema do Brasil”, afirmou ele, criticando o fato das escolas aprovarem alunos com deficiência de notas. “Não adianta passar quem não estuda, quem não quer nada com aprendizado”, disse o jovem, lembrando que esses alunos são os que vão baixar o índice dos demais nos exames nacionais.

Jonas e Grace opinaram sobre a realização, no Brasil, da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que trouxe o Papa Francisco ao Rio de Janeiro. “Não vai mudar nada na vida do jovem, porque o problema está na educação, no País”, afirmou Jonas, sob a concordância da colega.

Jornada é oportunidade para debate

A população jovem também é alvo da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que reúne no Rio de Janeiro, até o próximo dia 28, cerca de 1,5 milhão de pessoas, inclusive amazonenses, que foram ver o Papa Francisco, pela primeira vez no Brasil. Para alguns, como Jonas Miguel, o ato não fará diferença porque os problemas continuarão, mas para outros, como Antônio Pereira, 19, da Comunidade Católica do São José, será um momento para reflexão.

“Jovens de todo o mundo estarão juntos e haverá troca de conhecimentos”, disse Antônio, que considera os temas polêmicos como casamento gay e uso de preservativo como fatores para o afastamento dos jovens da igreja. “Muitos católicos não frequentam a igreja por discordar das recomendações dos padres”, revelou. Para ele, a JMJ é um bom momento para se discutir o que se diz e o que se faz. “E a escolha tem que ser pelo que é melhor para cada um, desde que se pense no todo”, pontua.

Fonte: UOL – A Crítica

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